Itaú Unibanco, Bradesco e Santander Brasil fecharam o terceiro trimestre com lucro combinado de R$ 22,61 bilhões, segundo dados compilados pela Broadcast. O valor representa alta de 2,4% na comparação com o mesmo período do ano passado e avanço de 0,6% ante o trimestre imediatamente anterior. O resultado veio em linha com a expectativa média do mercado, de R$ 22,6 bilhões.
A temporada de balanços dos bancos manteve como eixo central o efeito dos juros elevados sobre famílias e empresas. Com a renda dos consumidores comprometida e o caixa corporativo mais pressionado, a inadimplência seguiu em alta no sistema bancário.
Entre os três bancos, o Santander Brasil foi o que apresentou maior deterioração. A instituição registrou lucro líquido de R$ 2,9 bilhões no terceiro trimestre, com queda de 28% em relação ao mesmo período do ano anterior. O retorno sobre o patrimônio caiu para 11,9%. O banco também enfrenta pressão em carteiras de agronegócio de baixa renda.
No Bradesco, o lucro líquido somou R$ 7,1 bilhões, no 11º trimestre consecutivo de crescimento sequencial. O banco mostrou resiliência nas receitas com serviços e controle de custos, mas a rentabilidade foi afetada pelo ambiente macroeconômico e pelo avanço da inadimplência. O retorno sobre o patrimônio ficou em 15,6%. Sem o efeito da operação de aumento de capital de R$ 10 bilhões, a métrica teria ficado em 16,1%.
O Itaú Unibanco manteve o melhor desempenho relativo do grupo. O lucro líquido alcançou R$ 12,617 bilhões, com retorno sobre o patrimônio de 23,6%. O banco preservou disciplina na gestão de crédito e custos, embora tenha apresentado desempenho mais fraco na geração de receitas, principalmente em banco de capitais.
Analistas do Citi afirmaram que o cenário pós-eleitoral reforça a perspectiva de juros elevados por mais tempo, diante da avaliação de que um ajuste fiscal significativo é condição para uma redução mais rápida da Selic, em 13,75% ao ano.
Os balanços do terceiro trimestre mostram resultados ainda positivos para os grandes bancos, mas com desempenhos distintos diante do ambiente de juros altos, inadimplência e seletividade no crédito. No grupo, o Itaú liderou em rentabilidade, o Bradesco manteve a recuperação gradual e o Santander concentrou a maior pressão sobre os resultados.