A mandioca, tradicionalmente presente na alimentação das famílias amazônicas, possui potencial para se transformar em uma importante fonte de renda, inovação e desenvolvimento econômico. Entretanto, produtores rurais de Rondônia ainda enfrentam dificuldades para industrializar a produção, regularizar seus empreendimentos e alcançar mercados consumidores de maior porte.
Esses desafios foram discutidos durante uma edição do RuralCast, produção do Grupo Amazun, apresentada por Inácio Rocha, que recebeu Roselaine Buzati da Silva Ferreira, presidente da Associação dos Produtores Rurais e Extrativistas do Médio Madeira, em entrevista gravada no dia 27 de outubro de 2026, em Porto Velho.
Durante aproximadamente 47 minutos, a produtora compartilhou experiências relacionadas à agricultura familiar, ao processamento da macaxeira e às dificuldades enfrentadas por quem pretende transformar a produção rural em alimentos de maior valor agregado.
A conversa abordou o acesso ao crédito, as exigências sanitárias, a necessidade de equipamentos, a falta de centros de distribuição, o envelhecimento da população rural e o papel das universidades e instituições públicas no desenvolvimento da mandiocultura.
Um dos pontos mais preocupantes levantados pela entrevistada foi a distância entre a capacidade de produzir e as condições necessárias para comercializar os produtos de maneira regularizada.
Da experiência no comércio à paixão pela agricultura familiar
A trajetória de Roselaine no campo começou após uma longa experiência profissional no comércio.
Durante a entrevista, a produtora contou que trabalhou por mais de 20 anos no setor de vestuário masculino e que sua rotina mudou durante a pandemia.
Naquele período, decidiu passar mais tempo em uma propriedade localizada na comunidade Maravilha, na região de Porto Velho.
A convivência com os produtores rurais e o contato com as dificuldades enfrentadas pela vizinhança despertaram seu interesse pela agricultura familiar.
Roselaine explicou que a experiência também contribuiu para a criação de uma associação voltada ao fortalecimento dos agricultores.
A produção de mandioca surgiu como uma alternativa que poderia ser desenvolvida com recursos relativamente modestos.
Com o passar do tempo, o contato com a atividade transformou-se em uma oportunidade de empreendedorismo.
A produtora também passou a utilizar a experiência adquirida no comércio para desenvolver novos produtos e identificar consumidores interessados na macaxeira processada.
Mandioca vai muito além da farinha e da tapioca
Um dos principais destaques da entrevista foi a diversidade de produtos que podem ser elaborados a partir da mandioca.
Roselaine explicou que muitas pessoas associam a raiz apenas ao consumo cozido, à farinha ou à tapioca.
Entretanto, a produtora apresentou diferentes possibilidades de transformação e comercialização.
"Olha, eu já consegui fazer aí em torno de umas 30 receitas só com a base da mandioca."
Entre os produtos citados estão bolos, croquetes, coxinhas, pudins, mingaus, sorvetes, dindins, sucos, pamonhas e massas utilizadas na preparação de alimentos.
A entrevistada também mencionou a existência de dezenas de possibilidades de aproveitamento da matéria-prima, algumas ainda pouco conhecidas pelos consumidores.
Segundo ela, a inovação é uma maneira de ampliar o valor comercial da produção e conquistar novos públicos.
O desafio está em transformar essas possibilidades em negócios estruturados, capazes de oferecer produtos com regularidade, qualidade e segurança alimentar.
Macaxeira processada abre oportunidades para restaurantes e consumidores
Roselaine relatou que já trabalha com macaxeira descascada, processada e congelada, fornecendo produtos para estabelecimentos do setor alimentício.
Entre as alternativas comercializadas estão a macaxeira preparada para restaurantes e a versão cortada em palitos, semelhante à batata frita.
A produtora explicou que alimentos processados podem facilitar a rotina dos consumidores, especialmente daqueles que possuem pouco tempo para preparar refeições.
"Hoje em dia vale muito a pena a gente vender ele processado."
Segundo ela, o consumidor que adquire a macaxeira previamente preparada economiza etapas de limpeza, descascamento e manipulação.
A entrevistada também destacou a possibilidade de utilizar a massa de macaxeira em receitas como purês, bobós, bolos e outros alimentos.
Esse modelo de comercialização pode oferecer oportunidades para pequenos produtores, desde que os custos de processamento, armazenamento, transporte e regularização sejam considerados.
Produtora cria receitas inovadoras com macaxeira
Durante a conversa, Roselaine apresentou experiências de inovação desenvolvidas em feiras e eventos gastronômicos.
Um dos exemplos foi a criação de um croquete de carne-seca com banana-da-terra.
A produtora também mencionou uma pasta de alho preparada com base de macaxeira, apresentada como alternativa a determinadas receitas convencionais.
Entre as experiências realizadas estão ainda bolos gelados de macaxeira, versões com goiabada e outras combinações utilizadas na confeitaria.
Roselaine relatou ter participado de um evento gastronômico ao lado de outras confeiteiras, apresentando receitas desenvolvidas com a raiz.
A experiência, segundo ela, demonstrou que a mandioca pode ocupar espaços comerciais além daqueles tradicionalmente associados à agricultura familiar.
Os produtos também podem atender demandas específicas dos consumidores, dependendo de sua formulação, composição e condições de preparo.
Falta de agroindústria impede expansão para mercados maiores
Apesar das oportunidades apresentadas, Roselaine afirmou que a ausência de uma estrutura própria de processamento representa um dos principais obstáculos ao crescimento.
A produtora explicou que pretende abrir uma agroindústria da agricultura familiar para ampliar a capacidade de produção e atender novos estabelecimentos.
Entretanto, o empreendimento exige investimentos em infraestrutura, equipamentos e adequações às exigências sanitárias.
Durante a entrevista, Roselaine revelou uma diferença expressiva entre o financiamento ao qual conseguiu acesso e o orçamento necessário para desenvolver o projeto.
"Eu só consegui 15.000 e o projeto é 150.000, então eu não consigo."
O relato mostra que, no caso apresentado, o valor acessível representava apenas um décimo do investimento estimado.
A entrevistada defendeu a criação de mecanismos de financiamento mais compatíveis com as necessidades de pequenos empreendimentos que desejam avançar para o processamento de alimentos.
O problema não está apenas na obtenção de recursos, mas também na capacidade de atender às exigências técnicas para que os produtos possam ser comercializados com segurança.
Regularização sanitária é apontada como um dos maiores desafios
A dificuldade de inserir produtos processados em mercados e outros pontos de venda foi um dos assuntos mais importantes da entrevista.
Roselaine explicou que busca adequar sua atividade às exigências necessárias para ampliar a comercialização.
Segundo ela, a regularização envolve condições de higiene, manipulação, processamento, embalagem e informações nutricionais.
"Essa é a maior dificuldade que o produtor rural está enfrentando agora, nesse exato momento."
A declaração foi apresentada durante a discussão sobre o que a entrevistada chamou de selo para produtos vegetais.
Roselaine relatou que, diante das limitações enfrentadas, sua comercialização permanece concentrada em determinados canais de venda.
A conversa também abordou rastreabilidade, informações de origem e a possibilidade de identificar a procedência dos produtos.
É importante distinguir esses mecanismos: licença ou regularização sanitária, rastreabilidade e indicação geográfica possuem funções e requisitos diferentes.
O debate revelou uma necessidade concreta de orientação técnica para que agricultores possam compreender quais procedimentos são exigidos para cada modelo de produção e comercialização.
Produtora compra mandioca de vizinhos e ajuda a escoar a produção
Um dos exemplos de cooperação apresentados foi a relação de Roselaine com outros produtores da região.
A entrevistada explicou que sua propriedade possui capacidade limitada de produção e que, por isso, também compra macaxeira de agricultores próximos.
Segundo ela, muitos produtores sabem cultivar, mas encontram dificuldades para negociar seus produtos.
A experiência no comércio permitiu que Roselaine contribuísse com essa etapa.
"Pode plantar que eu vendo."
A frase resume o modelo desenvolvido pela produtora, que procura aproveitar sua capacidade de comercialização para criar oportunidades para outras famílias.
A iniciativa permite conectar produtores que dominam o cultivo com consumidores e estabelecimentos interessados nos alimentos.
Entretanto, a entrevistada afirmou que esse modelo precisa ganhar escala e contar com estruturas mais organizadas.
Para ela, cooperativas, associações e centros de distribuição podem reduzir dificuldades individuais e ampliar a capacidade de atendimento do mercado.
Centro de distribuição poderia evitar perdas e ampliar vendas em Porto Velho
A necessidade de criar um centro de distribuição para a agricultura familiar em Porto Velho recebeu destaque especial.
Roselaine explicou que pequenos produtores frequentemente não conseguem atender individualmente às quantidades exigidas por supermercados e compradores de maior porte.
Na avaliação da entrevistada, uma estrutura semelhante a uma central de abastecimento poderia reunir produtos de diferentes famílias e facilitar a comercialização.
"Faz falta uma cooperativa."
A produtora também defendeu a implantação de um centro de distribuição capaz de concentrar volumes maiores e organizar o fornecimento.
Segundo seu relato, existem agricultores que reduzem a produção ou perdem alimentos por não conseguirem encontrar compradores.
O problema é agravado quando o próprio produtor precisa dividir seu tempo entre o plantio, a colheita, o transporte e a venda direta nas feiras.
Uma estrutura coletiva poderia contribuir para organizar a logística, ampliar o acesso a clientes e reduzir desperdícios.
A viabilidade desse modelo, entretanto, depende de planejamento, capacidade de gestão, infraestrutura e demanda comercial.
Pedidos de grandes volumes mostram oportunidades de mercado
Durante a entrevista, Roselaine relatou já ter tomado conhecimento de demandas comerciais expressivas pela produção regional.
Entre os exemplos apresentados, mencionou solicitações de compradores interessados em volumes de algumas toneladas e uma demanda relacionada ao mercado de Manaus, no Amazonas, que teria alcançado 30 toneladas semanais.
As informações foram apresentadas como relatos da entrevistada, sem comprovação documental de pedidos ou contratos durante o programa.
Para a produtora, esses exemplos demonstram a existência de oportunidades que pequenos agricultores têm dificuldade para atender individualmente.
A ausência de escala produtiva, processamento adequado e distribuição organizada pode limitar a participação dos produtores nesses mercados.
A discussão reforçou a necessidade de avaliar a demanda, organizar a oferta e estabelecer condições comerciais que permitam atender compradores maiores de maneira sustentável.
Por que Rondônia comercializa produtos derivados de mandioca vindos de outros estados?
Outro questionamento levantado durante o RuralCast foi a presença de produtos industrializados de mandioca provenientes de outras regiões brasileiras.
Roselaine mencionou o Paraná como exemplo de estado com estrutura consolidada de processamento e comercialização de fécula, farinha e tapioca granulada.
A produtora questionou por que Rondônia, que possui agricultores dedicados ao cultivo, ainda enfrenta dificuldades para desenvolver cadeias semelhantes de industrialização.
A reflexão envolve a necessidade de agregar valor à produção local.
Quando a mandioca é comercializada apenas como matéria-prima, parte das oportunidades relacionadas ao processamento, à embalagem e à distribuição pode ser aproveitada em outras regiões.
Roselaine defendeu maior organização da cadeia produtiva e fortalecimento das instituições ligadas à mandiocultura.
A entrevistada também mencionou a Câmara Setorial da Mandioca como espaço importante para discutir políticas, realizar levantamentos e incentivar o reconhecimento da atividade em Rondônia.
Aproveitamento da mandioca pode ir além da alimentação humana
O uso de resíduos e subprodutos da mandioca também foi apresentado como oportunidade de inovação.
Durante a entrevista, Roselaine discutiu possibilidades relacionadas à fabricação de produtos destinados à alimentação animal, adubação orgânica e outros segmentos.
Entre os assuntos levantados pelo apresentador esteve a possibilidade de utilizar derivados da mandioca na produção de areia sanitária para gatos.
A convidada tratou parte dessas aplicações como possibilidades que ainda precisam de conhecimento técnico e desenvolvimento.
Roselaine também relatou aproveitar materiais orgânicos do processamento em sua propriedade.
"Então nada se joga fora da mandioca."
A declaração expressa sua defesa de maior aproveitamento da matéria-prima.
Entretanto, aplicações na alimentação animal e na fabricação de produtos para animais de estimação exigem avaliação técnica específica, processamento seguro e observância das normas pertinentes.
O debate demonstrou que a inovação pode ampliar as possibilidades econômicas da mandiocultura, mas precisa estar acompanhada de pesquisa e validação.
Época de colheita e características do solo influenciam a qualidade
A entrevista também abordou aspectos práticos do cultivo da mandioca.
Inácio Rocha questionou por que algumas raízes ficam duras e apresentam dificuldades para cozinhar.
Roselaine explicou que, em sua experiência, o período de colheita, a disponibilidade de água e as características da planta podem interferir no resultado.
A produtora relatou que determinadas variedades de macaxeira apresentam limitações quando permanecem no solo por períodos prolongados.
Também mencionou a necessidade de orientação sobre nutrição das plantas e manejo adequado.
Durante a conversa, citou pesquisas da Embrapa relacionadas ao desenvolvimento de variedades com características adaptadas às necessidades da produção.
O tema reforça a importância da assistência técnica, especialmente para agricultores que enfrentam limitações de solo, períodos de estiagem e dificuldades para definir o melhor momento da colheita.
Agricultura familiar está envelhecendo, alerta presidente de associação
Um dos momentos mais reflexivos da entrevista ocorreu quando Roselaine falou sobre a dificuldade de manter jovens nas atividades agrícolas.
Segundo sua percepção, muitos filhos de produtores deixam as comunidades rurais para estudar e buscar outras profissões.
Ao mesmo tempo, agricultores mais experientes continuam trabalhando, mas enfrentam limitações relacionadas à idade e ao esforço físico exigido pela produção.
"A agricultura familiar, ela está envelhecendo e nós temos que ter esse cuidado."
A entrevistada defendeu maior aproximação entre o campo, as instituições de ensino e os programas de qualificação profissional.
Para Roselaine, a formação técnica e o acesso à tecnologia podem criar novas oportunidades para que jovens escolham permanecer nas comunidades rurais.
A produtora também ressaltou a importância da agricultura familiar para o abastecimento das cidades.
A discussão mostrou que a continuidade da atividade depende não apenas do interesse dos jovens, mas de condições reais de renda, infraestrutura, educação e desenvolvimento profissional.
Tecnologia e maquinário podem reduzir o esforço físico dos agricultores
Roselaine relatou que grande parte do trabalho de processamento ainda é realizada de maneira manual por pequenos produtores.
Segundo ela, a atividade exige esforço físico intenso, especialmente durante a colheita, limpeza, descascamento e preparação dos alimentos.
A ausência de máquinas adequadas limita a capacidade de ampliar a produção e pode dificultar o desenvolvimento de novos produtos.
A entrevistada destacou que associações e parceiros institucionais têm buscado recursos para a aquisição de equipamentos.
"Segundo é que a gente falta vários tipos de maquinários."
Apesar das dificuldades, a produtora afirmou perceber avanços no apoio oferecido por instituições públicas e iniciativas voltadas à agricultura familiar.
Para ela, o desafio é ampliar esse atendimento, levando conhecimento e equipamentos para comunidades que ainda enfrentam condições precárias de trabalho.
Crédito rural precisa acompanhar a realidade dos pequenos produtores
A necessidade de ampliar o acesso ao financiamento foi outro assunto central.
Roselaine citou linhas de crédito voltadas à agricultura familiar e destacou que determinadas condições de financiamento podem ajudar os agricultores a iniciar a produção.
Entretanto, segundo a entrevistada, os valores acessíveis em sua realidade são insuficientes para projetos de agroindustrialização.
A produtora relatou ter encontrado possibilidades de crédito na faixa de R$ 15 mil, enquanto o empreendimento que pretende desenvolver exige investimento estimado em R$ 150 mil.
Também discutiu a importância de assistência técnica para elaboração de projetos, planejamento financeiro e identificação de programas disponíveis.
A conversa demonstrou que o financiamento precisa ser analisado de acordo com a atividade, a capacidade de pagamento e os requisitos de cada linha.
Os valores e benefícios mencionados durante o programa correspondem às experiências e informações apresentadas pela entrevistada, não constituindo confirmação de condições universais de crédito.
Estradas e assistência técnica são fundamentais para o escoamento da produção
As condições das estradas rurais também foram mencionadas como fator decisivo para a agricultura familiar.
Roselaine explicou que o produtor precisa de infraestrutura para transportar os alimentos e manter a regularidade do abastecimento.
"Porque não adianta você produzir e não ter uma boa estrada para escoar o seu produto."
A entrevistada reconheceu iniciativas de apoio realizadas na região, mas defendeu que os investimentos continuem.
Outro ponto apresentado foi a necessidade de ampliar a presença da assistência técnica nas propriedades.
Roselaine mencionou a Emater, a Embrapa e outras instituições como possíveis parceiras no desenvolvimento de ações de orientação, pesquisa e qualificação.
Segundo ela, o produtor precisa ter acesso a informações sobre manejo, correção de solo, processamento e comercialização.
O fortalecimento dessas atividades pode contribuir para que pequenas propriedades ampliem sua capacidade produtiva e reduzam perdas.
O sonho de colocar macaxeira pré-cozida e temperada no mercado
No encerramento, Inácio Rocha desafiou Roselaine a apresentar um produto inovador que gostaria de desenvolver e comercializar.
A entrevistada respondeu que pretende ampliar a produção de macaxeira processada, pré-cozida e preparada para consumo mais rápido.
Sua proposta é oferecer alternativas práticas para pessoas que desejam levar alimentos tradicionais à mesa sem precisar realizar todas as etapas do preparo.
"Eu quero fazer essa diversidade de macaxeira já cozida, pré-cozida, saborizada."
A ideia representa o objetivo de avançar na industrialização, agregando valor à matéria-prima e conquistando novos espaços comerciais.
Entretanto, a concretização do projeto ainda depende de investimentos, adequações sanitárias e estrutura produtiva.
Liderança feminina fortalece a união entre produtores
Além de compartilhar sua experiência como empreendedora, Roselaine falou sobre o compromisso que assumiu à frente da associação.
A produtora destacou que sua atuação não está relacionada exclusivamente à própria atividade comercial.
Segundo ela, o objetivo é buscar condições melhores para agricultores que enfrentam dificuldades semelhantes.
Durante as considerações finais, defendeu que presidentes de associações e representantes da agricultura familiar atuem de forma conjunta.
"A felicidade do meu vizinho, a felicidade do meu companheiro, do meu amigo, de um produtor rural, é a nossa felicidade."
A declaração sintetiza a visão de Roselaine sobre a importância da cooperação.
Para a presidente, o fortalecimento da agricultura familiar depende de organização coletiva, acesso às políticas públicas e participação dos produtores nas decisões que afetam o setor.
Futuro da mandiocultura depende de investimento, organização e valorização
A entrevista demonstrou que Rondônia possui produtores interessados em ampliar a utilização comercial da mandioca, mas enfrenta desafios que vão além do cultivo.
A capacidade de transformar raízes em alimentos processados, desenvolver novas receitas e atender mercados maiores depende de infraestrutura, regularização, assistência técnica e acesso a crédito.
Os relatos de Roselaine também mostraram a importância da participação feminina, da colaboração entre famílias rurais e da valorização do conhecimento adquirido no campo.
Ao mesmo tempo, a falta de sucessores, as dificuldades de comercialização e a ausência de estruturas coletivas representam preocupações para o futuro da atividade.
A principal reflexão deixada pelo episódio é que produzir não basta. Para que a agricultura familiar cresça, é necessário criar condições para transformar a produção em renda, ampliar os mercados e garantir oportunidades para as próximas gerações.
O episódio do RuralCast, com apresentação de Inácio Rocha e participação de Roselaine Buzati da Silva Ferreira, integra as produções do Grupo Amazun, com distribuição pelo canal Olá Rondônia, no YouTube, pelos portais de notícias e pelas emissoras parceiras.