Agronegócio

Controle biológico ajuda a reduzir pulgão-do-sorgo em lavouras de MG

Redação

Pesquisadores da Embrapa Milho e Sorgo, em colaboração com a Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), observaram uma significativa redução na população do pulgão-do-sorgo (Melanaphis sorghi) em lavouras de sorgo forrageiro de Minas Gerais. O estudo revelou que a presença de moscas-sirfídeo e joaninhas, insetos predadores, foi crucial para o controle biológico da praga em áreas onde não houve aplicação de inseticidas, evidenciando o potencial do Manejo Integrado de Pragas (MIP) para a sustentabilidade agrícola.

Eficácia dos Inimigos Naturais

A pesquisa, conduzida ao longo de duas safras, comparou lavouras com e sem o uso de inseticidas, realizando um acompanhamento semanal das populações de pragas e de insetos benéficos. Os resultados indicaram que fatores como o uso de defensivos, as condições climáticas e a presença de inimigos naturais influenciam diretamente a dinâmica populacional dos pulgões.

O pulgão-do-sorgo foi a praga mais prevalente nas áreas avaliadas, atingindo seu pico durante o estágio vegetativo das plantas. A redução de sua população mostrou uma clara relação com a presença de predadores da família Syrphidae, conhecidas como moscas-sirfídeo ou moscas-das-flores, cujas larvas são vorazes predadoras de pulgões. Joaninhas, da família Coccinellidae, também desempenharam um papel importante no controle biológico.

A ausência de produtos químicos nas lavouras favoreceu a proliferação desses inimigos naturais, permitindo que a relação entre predadores e pragas mantivesse as populações de pulgões sob controle. Simone Mendes, pesquisadora da Embrapa Milho e Sorgo, enfatiza a relevância de compreender a interação entre ambiente, pragas e organismos de controle biológico. "Compreender essa dinâmica fornece subsídios à adoção de práticas agrícolas sustentáveis, uma vez que permite gerar informações valiosas destinadas ao desenvolvimento de estratégias de manejo de pragas", afirma.

Impacto Climático na População de Pulgões

As condições climáticas também se mostraram um fator determinante. Durante os períodos chuvosos, os pesquisadores registraram uma diminuição na população de pulgões. Simone Mendes explica que temperatura, umidade relativa e, principalmente, a precipitação, são cruciais para a dinâmica populacional da praga. "A precipitação, no caso, é o fator mais importante porque contribui para a mortalidade natural dos pulgões no campo", detalha.

O estudo também monitorou a presença do pulgão-do-milho (Rhophalosiphum maidis), cuja população aumentou na segunda safra, período que registrou maior volume de chuvas.

Danos Causados pelo Pulgão-do-Sorgo

O Melanaphis sorghi tende a se alojar na parte inferior e nas folhas mais baixas das plantas, o que dificulta o monitoramento precoce e pode atrasar a identificação de infestações. "Daí a dificuldade para o monitoramento. Porque, muitas vezes, quando o produtor percebe a infestação, ela já é grande", alerta Simone Mendes.

Em infestações severas, as colônias de pulgões produzem uma substância açucarada, conhecida como melada. Sobre essa melada, desenvolve-se um fungo chamado fumagina, que prejudica a fotossíntese das plantas e, consequentemente, compromete a qualidade da silagem, um produto essencial para a alimentação animal.

Manejo Integrado e Monitoramento

O monitoramento constante das lavouras é uma das principais recomendações dos pesquisadores para identificar a praga antes que sua população se eleve a níveis críticos. "Monitorar as lavouras é parte fundamental do manejo dessa praga", reforça Mendes.

Para o controle químico, a pesquisadora sugere a escolha de produtos seletivos que preservem os inimigos naturais, como joaninhas e moscas-sirfídeo. "No caso do pulgão-do-sorgo, a aplicação correta de inseticidas com seletividade aos inimigos naturais pode contribuir muito, uma vez que, como observado nesse estudo, esses insetos ocorrem naturalmente na lavoura e são fundamentais para o controle", explica. A manutenção desses organismos é vital para manter as populações de pragas abaixo dos níveis que causam perdas econômicas à cultura.

Importância do Sorgo na Silagem

O estudo também investigou a ocorrência de outras pragas, como a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) e a broca-da-cana, buscando subsidiar estratégias de manejo para lavouras de sorgo forrageiro. O sorgo é amplamente utilizado na produção de silagem devido à sua alta produção de massa verde e concentração energética.

Guilherme Avellar, doutorando da UFSJ, destaca a resiliência da cultura: "Essa cultura tem grande produção de massa verde e alto valor energético, características valorizadas na produção de silagem. Além disso, o sorgo é resiliente ao estresse abiótico, que se refere a condições ambientais desfavoráveis ao crescimento das plantas, tais como a seca e o calor extremo, sobretudo quando comparado ao milho".

Sorgo Selvagem como Hospedeiro

Outro ponto de atenção levantado pelos pesquisadores é a possível função de plantas hospedeiras para o pulgão durante a entressafra. Embora estudos recentes indiquem que milho e milheto não são hospedeiros relevantes para o Melanaphis sorghi, o capim-massambará, ou sorgo selvagem, deve ser investigado. "Contudo, o capim massambará (ou sorgo selvagem) deve ser avaliado, pois sua presença no campo pode servir como importante reservatório de pulgões do sorgo, principalmente na entressafra", afirma Douglas Santos, também doutorando da UFSJ.

Os resultados da pesquisa reforçam a necessidade de uma abordagem integrada que combine monitoramento constante, análise das condições climáticas, preservação dos inimigos naturais e o uso criterioso de inseticidas para um manejo eficaz do pulgão-do-sorgo.

Fonte: canalrural

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