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ASSISTA: 2ª AGROTEC supera expectativas, movimenta negócios e projeta expansão para 2027

Secretário Douglas Brenner destacou público recorde, resultados comerciais, valorização dos produtores e novos projetos para fortalecer o agro de Porto Velho

Redação Olá Rondônia / RuralCast
Foto: Olá Rondônia / RuralCast

AGROTEC ultrapassa expectativas

A segunda edição da AGROTEC encerrou sua programação consolidada como uma importante vitrine para os produtores rurais, agroindústrias, empresas, instituições e cadeias produtivas de Porto Velho.

O balanço foi apresentado pelo secretário da Secretaria Municipal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Semagric), Douglas Brenner, durante participação no RuralCast, podcast do Grupo Amazun, transmitido pelo canal Olá Rondônia.

Em entrevista ao apresentador Inácio Rocha, Douglas afirmou que os resultados superaram as projeções iniciais da organização.

“Todas as nossas expectativas foram totalmente ultrapassadas”, declarou.

Realizada no Complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, às margens do Rio Madeira, a feira reuniu produtores, empresários, instituições financeiras, órgãos públicos e famílias durante vários dias de programação.

Público mais que triplicou

Segundo Douglas Brenner, a edição anterior havia recebido aproximadamente 30 mil a 40 mil visitantes. Embora a contagem oficial ainda não estivesse concluída no momento da entrevista, os dados preliminares apontavam crescimento expressivo.

“No ano passado, tivemos uma visitação de aproximadamente 30 mil a 40 mil pessoas. Neste ano, esse número mais que triplicou”, antecipou.

A contagem foi realizada com o apoio de câmeras instaladas no complexo. O resultado final seria divulgado oficialmente após o encerramento da programação.

A grande participação popular foi atribuída à diversidade de atrações, à presença dos expositores e ao ambiente preparado para receber famílias.

Volume de negócios supera primeira edição

Além do público, a movimentação comercial também superou os resultados anteriores. Na primeira edição, a AGROTEC contabilizou aproximadamente R$ 34 milhões em volume de negócios.

Douglas explicou que esse valor considera vendas realizadas no local, propostas comerciais, orçamentos em andamento e negociações que dependem de visitas técnicas posteriores.

“Não significa que foram vendidos R$ 34 milhões dentro da feira. Esse cálculo envolve vendas concretizadas, orçamentos em andamento e negócios que serão concluídos depois”, esclareceu.

Na segunda edição, o resultado já havia ultrapassado amplamente essa marca, embora os números definitivos ainda estivessem em processo de consolidação.

“Este ano já ultrapassamos, e ultrapassamos muito, os valores da edição anterior”, afirmou.

Feira alcança principais objetivos

De acordo com o secretário, a organização estabeleceu três grandes metas: atrair público, gerar negócios e realizar um evento confortável e seguro.

“A nossa grande meta era trazer um grande público, fazer muitos negócios e, acima de tudo, realizar uma festa maravilhosa, com conforto, segurança e infraestrutura”, destacou.

Na avaliação de Douglas, os objetivos foram alcançados. O público teve acesso a pavilhões temáticos, demonstrações, degustações, produtos regionais, veículos, máquinas, animais, serviços, entretenimento e praça de alimentação.

“Tenho certeza de que não deixamos nada a desejar”, avaliou.

Expositores comemoram vendas

A edição reuniu 259 expositores. Douglas contou que percorreu os estandes para acompanhar os resultados e conversar diretamente com os participantes.

“Eu passei pelos 259 expositores. Fui perguntando a cada um se havia vendido e ficava na expectativa de ver a pessoa feliz com o resultado”, relatou.

Conforme o secretário, grande parte dos expositores atingiu ou ultrapassou as expectativas. Alguns chegaram a encerrar a participação antecipadamente porque venderam todo o estoque disponível.

“Muitos foram embora mais cedo porque não tinham mais o que vender. Já tinham vendido tudo”, contou.

Outros participantes aproveitaram o evento para divulgar seus produtos, captar contatos e estabelecer negociações para os meses seguintes.

Instituições ampliam atendimentos

A AGROTEC também reuniu órgãos públicos, entidades de capacitação, conselhos profissionais, instituições financeiras e organizações de apoio ao setor produtivo.

“Todas as instituições fizeram muitos atendimentos”, destacou Douglas.

Os serviços incluíram orientações técnicas, informações sobre crédito, regularização, licenciamento, capacitações e apoio à organização dos produtores.

Para o secretário, esse tipo de atendimento também representa um resultado importante, pois aproxima as políticas públicas das comunidades rurais.

Evento impacta a renda das famílias

Douglas se emocionou ao falar sobre os produtores que conseguiram ampliar significativamente a renda durante os dias da feira.

A comercialização direta permitiu que agricultores e pequenos empreendedores vendessem sem intermediários e apresentassem seus produtos a milhares de consumidores.

“A nossa parte foi trazer o público. O que percebi foi que praticamente todos os expositores atingiram além daquilo que imaginavam”, afirmou.

A movimentação beneficiou produtores de farinha, café, mel, pescado, mandioca, frutas, alimentos processados, artesanato e outras atividades ligadas à economia rural.

Planejamento de 2027 já começou

Mesmo antes do encerramento da segunda edição, a equipe da Semagric iniciou a avaliação dos resultados e o planejamento da próxima feira.

“Já tivemos uma reunião para prospectar tudo o que aconteceu e começar os planejamentos para 2027”, revelou Douglas.

A expectativa é ampliar a estrutura, organizar melhor a distribuição dos setores e incorporar novas experiências para produtores e visitantes.

“A AGROTEC 2026 já está deixando saudade, mas nós já estamos trabalhando na edição de 2027”, afirmou.

Café, leite e mandioca terão programações próprias

Durante a cerimônia de encerramento, a organização anunciaria três grandes datas destinadas às cadeias produtivas do café, do leite e da mandioca.

“Vamos lançar três grandes datas para três cadeias produtivas importantes de Porto Velho e de Rondônia: café, leite e mandioca”, antecipou.

A proposta é não concentrar todo o debate apenas nos dias da AGROTEC. Eventos específicos permitirão aprofundar questões técnicas, apresentar tecnologias e aproximar produtores, pesquisadores e compradores.

Complexo deverá ser ampliado

Com o crescimento do público e dos expositores, Douglas reconheceu que o espaço utilizado na segunda edição poderá não ser suficiente para os próximos anos.

“O Complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré vai ficar pequeno”, afirmou.

Para 2027, a organização pretende aproveitar uma área ainda maior, alcançando a totalidade do complexo histórico e incorporando atividades relacionadas ao Rio Madeira.

“Na edição de 2027, vamos usar parte do Rio Madeira também. Podem se preparar”, anunciou.

A intenção é criar uma experiência conectada à identidade de Porto Velho, ao patrimônio ferroviário e à importância econômica do rio.

Banana ganhará eixo temático

Entre as novidades previstas está a criação de um eixo dedicado à banana. Segundo Douglas, Porto Velho possui posição de destaque na produção estadual.

“No próximo ano, vamos aumentar os eixos temáticos e estamos trabalhando para implantar o eixo da banana”, revelou.

O espaço poderá reunir agricultores, técnicos, pesquisadores, agroindústrias e compradores para discutir produção, sanidade, comercialização e agregação de valor.

Histórias das cadeias produtivas

A terceira edição deverá ampliar a experiência educativa oferecida ao público. A proposta é contar a trajetória das principais culturas e atividades rurais do município.

“No próximo ano, vamos começar a contar mais histórias, como a do jacaré e a trajetória da mandioca nos últimos 100 anos em Porto Velho”, explicou.

O ambiente histórico da Madeira-Mamoré será utilizado para conectar a evolução da agricultura ao desenvolvimento da capital.

“A gente está no local mais histórico de Porto Velho. Queremos fazer essa ligação com a história da agricultura”, acrescentou.

Experiências práticas para os visitantes

A organização pretende oferecer mais atividades que permitam ao visitante acompanhar e experimentar processos produtivos.

“Queremos mostrar como se faz o sabão, o sabonete, a farinha, como se produz o mel e como se trata o peixe”, enumerou.

A feira já realizou demonstrações e degustações relacionadas ao café, ao mel, à mandioca, à piscicultura e à carne de jacaré. Para 2027, a proposta é ampliar esse modelo.

Entre as ideias citadas está uma demonstração envolvendo a pesca do pirarucu.

“Uma das atividades que estamos planejando é a pesca do pirarucu”, antecipou.

Mandioca está presente em milhares de propriedades

Douglas destacou a mandiocultura como uma das principais atividades da agricultura familiar de Porto Velho.

“Nós somos o maior produtor de mandioca do estado de Rondônia”, afirmou.

Segundo ele, entre 40% e 45% dos agricultores do município cultivam mandioca, seja como atividade principal ou em conjunto com outras culturas.

“Aproximadamente 40% a 45% dos nossos agricultores produzem mandioca de alguma forma”, estimou.

Por essa dimensão, a cadeia ganhou um espaço temático na AGROTEC e passou a receber maior atenção das políticas públicas.

Selo para farinha artesanal

Um dos principais desafios da cadeia é a regularização da farinha produzida de maneira artesanal. Conforme explicou o secretário, a legislação atual atende principalmente estruturas industriais.

“Nossa lei proporciona que apenas aproximadamente 30% desses produtores consigam se certificar, porque contempla o industrial. O artesanal não consegue”, afirmou.

Isso deixa grande parte dos agricultores fora do mercado formal. A Semagric assumiu o compromisso de discutir mudanças com a Vigilância Sanitária, os setores de inspeção e o Poder Executivo.

“Vamos buscar um consenso para mudar essa lei e permitir que o produtor de farinha artesanal consiga retirar seu selo e agregar valor ao produto”, declarou.

A proposta deverá conciliar inclusão produtiva e segurança alimentar.

Segurança dos alimentos deve ser preservada

Douglas ressaltou que a alteração das regras não significa reduzir os cuidados sanitários.

“O que precisamos tratar é a segurança alimentar”, pontuou.

Segundo ele, muitos produtores artesanais já possuem cuidado com a fabricação, mas precisam de capacitação e adequação dos processos.

“Quando falamos em qualidade, não estamos falando necessariamente do sabor, porque sabemos que a farinha artesanal é fenomenal. Estamos falando da segurança na produção”, explicou.

A política pública deve permitir que o pequeno produtor atenda às exigências sem enfrentar regras incompatíveis com sua realidade.

“Precisamos trabalhar no limite da segurança alimentar e, ao mesmo tempo, dar condições para o pequeno produtor conseguir o selo”, defendeu.

Conhecimento tradicional e atualização

A produção de farinha é uma atividade transmitida entre gerações. Muitos agricultores aprenderam o trabalho com os pais e avós, sem frequentar cursos formais.

“A produção de farinha é centenária. O produtor aprende em casa, com os avós”, reconheceu Douglas.

Para o secretário, as ações de capacitação devem respeitar esse conhecimento e incorporar os procedimentos necessários à regularização.

“Vamos trabalhar em cima dessa cultura para conseguir também garantir a segurança alimentar”, afirmou.

Tecnologia para enfrentar falta de mão de obra

A escassez de trabalhadores no campo foi apontada como um dos maiores desafios da agricultura familiar.

“O grande gargalo hoje da agricultura familiar é a mão de obra”, afirmou o secretário.

O envelhecimento da população rural e a migração para a área urbana reduzem a disponibilidade de pessoas para atividades manuais.

Para 2027, a AGROTEC pretende ampliar a exposição de máquinas, equipamentos e soluções destinadas aos pequenos produtores.

“Queremos trazer mais tecnologias e seminários para facilitar tarefas como preparar o solo, cultivar hortaliças, trabalhar com mandioca, adubar e gradear”, explicou.

A mecanização adequada poderá reduzir o esforço físico, aumentar a produtividade e atrair uma nova geração para o campo.

Feira quer grandes nomes do agro e da tecnologia

Douglas esclareceu que a AGROTEC não pretende seguir o modelo de exposições baseadas em grandes shows musicais. As principais atrações deverão estar ligadas ao conhecimento e aos negócios.

“A AGROTEC não foi feita para ter grandes shows. Ela trabalha com tecnologia e negócios”, afirmou.

Para 2027, a organização quer receber especialistas, inovadores e comunicadores que ensinam práticas agrícolas em linguagem acessível.

“Queremos trazer grandes nomes da tecnologia e do agro, pessoas que deem dicas sobre como plantar, adubar e fazer enxertos”, explicou.

A meta é reunir agricultores para palestras, rodas de conversa e demonstrações práticas.

“Esse é o tipo de show de que precisamos”, resumiu.

Possibilidade de participação internacional

Douglas confirmou que a organização já trabalha para receber participantes de outros países na terceira edição.

“Tenho certeza de que, no próximo ano, teremos participação internacional. Já estamos em articulação”, revelou.

Entre as pautas planejadas está um fórum sobre portos, transporte fluvial, integração logística e novas rotas comerciais.

“Estamos trabalhando para realizar um Fórum dos Portos e discutir transporte fluvial, portos, a saída pelo Rio Madeira e a ponte binacional”, antecipou.

A iniciativa poderá reunir representantes de países vizinhos e ampliar as oportunidades comerciais para os produtores.

Visibilidade nacional fortalece a feira

A segunda AGROTEC ganhou espaço em rede nacional, divulgando as cadeias produtivas e as atrações de Porto Velho para outros estados.

“Eu me emocionei muito vendo a nossa feira em rede nacional. Essa era uma das nossas metas”, contou Douglas.

A visibilidade ajuda a gerar credibilidade junto aos expositores e parceiros.

“Até pouco tempo, muita gente não acreditava que a feira aconteceria. Mostrar o evento para todo o Brasil comprova a nossa capacidade”, afirmou.

Para o secretário, a repercussão também demonstrou que Porto Velho possui condições para realizar grandes eventos dedicados ao setor agropecuário.

Lei de Inovação cria novas possibilidades

A Lei Municipal de Inovação foi citada como instrumento para ampliar a segurança jurídica de startups, pesquisadores e empresas que desenvolvem soluções.

“Ela foi criada pensando em despertar ainda mais o interesse pelas tecnologias e pela inovação”, afirmou Douglas.

A legislação poderá facilitar a contratação e experimentação de soluções voltadas às necessidades da administração e do setor produtivo.

Durante a AGROTEC, empresas e empreendedores apresentaram plataformas, aplicativos e tecnologias aplicadas à agricultura, construção, gestão e sustentabilidade.

Segurança foi um dos destaques

A feira contou com atuação das forças de segurança e encerrou sua programação sem ocorrências graves.

“Nós tivemos uma grande segurança durante todos os dias e não registramos incidentes”, destacou.

Para as próximas edições, a organização estuda instalar totens com tecnologia de reconhecimento facial em parceria com o Governo de Rondônia.

O sistema poderá complementar a contagem de público e auxiliar na identificação de pessoas procuradas pela Justiça.

Conectividade no campo avança, mas ainda custa caro

A falta de telefonia e internet já foi uma das maiores limitações das comunidades rurais. Segundo Douglas, os distritos de Porto Velho avançaram no acesso ao sinal móvel e à internet via satélite.

“Hoje temos visto vários distritos recebendo sinal de telefonia, o que ajuda no acesso à internet por meio do 4G e do 5G”, afirmou.

O secretário destacou, entretanto, que o município possui aproximadamente 34 mil quilômetros quadrados de extensão territorial e mais de 8 mil quilômetros de estradas vicinais, o que dificulta a implantação de infraestrutura pública.

“Vivemos uma realidade fora da curva em relação à maioria dos municípios do país”, observou.

A internet particular se tornou prioridade nas propriedades, embora o custo mensal ainda pese no orçamento de muitas famílias.

Estrutura mais confortável para as famílias

Para 2027, a organização pretende ampliar a área infantil, criar mais espaços de alimentação e distribuir atrações por diferentes pontos do complexo.

“Acreditamos que a terceira edição utilizará 100% do complexo, que possui aproximadamente dez hectares”, antecipou.

O objetivo é melhorar a circulação e garantir público em todos os setores.

“Queremos criar áreas separadas de alimentação, espaços kids maiores e entretenimento espalhado pela feira”, explicou.

Também está prevista a criação de um mapa para orientar os visitantes e a implantação de estruturas para gerar sombra e amenizar o calor.

Identidade única às margens do Madeira

Ao final da entrevista, Douglas Brenner pediu que a população valorize os eventos e produtos de Porto Velho.

“Deem valor àquilo que é de Porto Velho. O público mostrou que a AGROTEC veio para ficar”, declarou.

O secretário destacou a combinação entre produção rural, carne de jacaré, locomotiva centenária, patrimônio histórico e localização às margens do Rio Madeira.

“Nós temos um charme que talvez nenhuma outra feira tenha”, afirmou.

Para Douglas, o resultado foi construído por produtores, expositores, servidores, instituições e visitantes.

“Sou muito grato por fazer parte desse processo. É o conjunto de tudo isso que trouxe essa maravilha para Porto Velho”, concluiu.


Assista à entrevista completa no RuralCast, pelo canal Olá Rondônia no YouTube:


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