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ASSISTA: MapEdu+Dados usa inteligência artificial para fortalecer a educação inclusiva

Desenvolvida pela startup ASA Cívica, plataforma conecta famílias, instituições de ensino e gestores públicos para centralizar informações e identificar demandas de acessibilidade

Redação Olá Rondônia / RuralCast
Foto: Olá Rondônia / RuralCast

Tecnologia para enfrentar desafios da educação inclusiva

A utilização da tecnologia para melhorar o acesso à educação inclusiva foi destaque em mais uma entrevista do RuralCast, podcast do Grupo Amazun, durante a cobertura da 2ª AGROTEC, em Porto Velho.

Entrevistado pelo apresentador Inácio Rocha, o jovem empreendedor Nataniel Wilson, de 19 anos, apresentou o MapEdu+Dados, solução desenvolvida pela startup ASA Cívica.

A plataforma busca conectar responsáveis pelos estudantes, instituições de ensino e gestores públicos em um único ambiente digital. A proposta é organizar informações que atualmente se encontram dispersas e dificultam o acesso das famílias aos serviços educacionais.

“O MapEdu+Dados é um sistema que conecta gestores, instituições de ensino e responsáveis pelos alunos”, explicou Nataniel.

O projeto combina educação, inclusão, gestão pública, inteligência artificial e análise de dados para ajudar estudantes que necessitam de recursos específicos de acessibilidade.

Informações dispersas dificultam a busca das famílias

Segundo Nataniel, existem informações sobre escolas, vagas e recursos inclusivos, mas elas nem sempre são apresentadas de forma organizada e acessível.

Mães, pais e responsáveis muitas vezes precisam procurar pessoalmente diversas escolas para descobrir qual unidade possui estrutura compatível com as necessidades do estudante.

“As informações são muito desorganizadas e estão espalhadas. As famílias não têm um local onde possam consultar quais escolas atendem às necessidades dos seus filhos”, afirmou.

Imagine, por exemplo, uma família que procura uma escola com profissionais habilitados para acompanhar um aluno surdo, estrutura acessível para uma pessoa com deficiência física ou atendimento adequado a um estudante com transtorno do espectro autista.

Sem uma base centralizada, a família pode perder tempo com deslocamentos, telefonemas e visitas a instituições que não possuem os recursos necessários.

“A pessoa tem um filho com uma necessidade específica e precisa sair procurando de escola em escola alguma vaga que atenda àquela necessidade”, exemplificou.

O MapEdu+Dados pretende reduzir esse percurso ao reunir, em uma única plataforma, informações sobre as escolas, os recursos disponíveis e as demandas apresentadas pelas famílias.

Famílias poderão pesquisar escolas acessíveis

Na prática, o responsável poderá acessar o sistema, informar a localização e pesquisar instituições que ofereçam determinado recurso inclusivo.

A plataforma poderá apresentar escolas com acessibilidade arquitetônica, atendimento especializado, tecnologias assistivas ou outros serviços cadastrados.

Um responsável por um aluno surdo, por exemplo, poderá utilizar filtros para encontrar unidades que ofereçam condições adequadas de atendimento.

“O responsável entra no sistema e procura uma escola que tenha acessibilidade para alunos surdos, por exemplo”, explicou Nataniel.

O modelo também pode auxiliar famílias que mudam de cidade. Antes de realizar a matrícula, elas poderão conhecer as alternativas disponíveis na nova localidade.

“Se um responsável mora em outro estado e vem para Porto Velho, ele precisa dessas informações para saber em qual escola poderá colocar o filho”, destacou.

A centralização torna a busca mais rápida e reduz a insegurança enfrentada pelas famílias no momento da escolha da instituição.

Instituições de ensino atualizam seus recursos

As escolas também possuem papel fundamental no funcionamento do MapEdu+Dados. Cada instituição poderá registrar suas informações, recursos, estrutura e modalidades de atendimento.

Com a atualização dos dados, o sistema conseguirá apresentar às famílias informações mais precisas sobre as condições oferecidas por cada unidade.

O cadastro também permite identificar onde existem recursos subutilizados e quais escolas necessitam de novos equipamentos, profissionais ou adaptações.

Essa visão é importante porque a educação inclusiva depende de diferentes fatores. Não basta existir uma vaga: é necessário verificar se a instituição possui condições para garantir acesso, permanência, participação e aprendizagem.

Dados auxiliam os gestores públicos

Além de facilitar a vida das famílias, o sistema foi desenvolvido para apoiar secretarias de Educação e outros órgãos ligados à inclusão.

Os gestores poderão visualizar as demandas apresentadas pelas famílias e compará-las com a estrutura disponível nas instituições.

“A partir do momento em que a Secretaria sabe onde estão as famílias, quais necessidades existem e quais escolas possuem os recursos, consegue criar políticas públicas melhores”, afirmou Nataniel.

A ferramenta pode ajudar a responder perguntas importantes:

  • Em quais bairros existe maior procura por determinado atendimento?
  • Quais escolas precisam de adaptações?
  • Onde faltam profissionais especializados?
  • Quais equipamentos devem ser adquiridos?
  • Em quais regiões é necessário ampliar a oferta de vagas inclusivas?
  • Quais recursos já existem, mas precisam ser melhor distribuídos?

Com essas informações, a administração pública pode planejar investimentos de maneira mais eficiente.

“A gestão consegue disponibilizar melhor os recursos e as funcionalidades necessárias”, ressaltou.

Inteligência artificial analisa as demandas

Uma das funções centrais da solução é o MapEdu+Dados, módulo que utiliza inteligência artificial para interpretar as informações cadastradas.

A tecnologia analisa os dados das instituições e as pesquisas realizadas pelas famílias. Com isso, pode identificar padrões e apontar regiões com maior demanda.

“A inteligência artificial fará uma leitura completa dos dados que as instituições colocarão no sistema e apresentará essas informações aos gestores”, explicou.

Se muitas famílias de determinado bairro procurarem atendimento para alunos surdos, por exemplo, o sistema poderá identificar a procura e alertar a gestão.

“A inteligência artificial poderá mostrar que, em determinado bairro, existem muitos responsáveis procurando uma facilidade específica para os filhos”, exemplificou.

A análise também poderá indicar que uma escola necessita de equipamento, estrutura ou serviço para atender a demanda existente naquela região.

Pesquisas ajudam a revelar necessidades

Os filtros usados pelas famílias não servem apenas para apresentar escolas. Eles também geram informações sobre as necessidades que ainda não estão sendo atendidas.

“O sistema vê aquilo que o responsável procura e entende que existe uma demanda. Depois, avisa ao gestor que determinado recurso está sendo necessário naquela localização”, explicou Nataniel.

Esse modelo permite conhecer tanto a estrutura existente quanto a demanda reprimida.

Em muitos casos, uma família procura repetidamente determinado atendimento, mas a administração pública não possui um canal capaz de registrar essa busca. Sem dados, a necessidade pode permanecer invisível.

Ao transformar as consultas em indicadores, o MapEdu+Dados cria evidências para orientar decisões e políticas públicas.

Inteligência artificial não substitui o gestor

Durante a entrevista, Nataniel esclareceu que a inteligência artificial não foi criada para substituir o gestor público.

A tecnologia atua como ferramenta de apoio, organizando informações e apresentando caminhos possíveis. A decisão continua sob responsabilidade dos profissionais e das autoridades competentes.

“A inteligência artificial funciona como um ajudante ao lado do gestor. Ela mostra onde existe demanda e indica possíveis caminhos”, comparou.

O sistema pode reduzir o tempo gasto na busca e na organização de informações, mas não determina automaticamente a implantação de uma política ou a destinação de recursos.

“Ela dará vários caminhos, mas a decisão continuará sendo do gestor”, enfatizou.

Essa separação é importante porque decisões educacionais envolvem fatores humanos, pedagógicos, administrativos, orçamentários e legais que não podem ser avaliados somente por um algoritmo.

Possibilidade de integração com outros dados

A equipe também estuda formas de integrar o sistema a outras bases de informações, respeitando as regras de segurança, privacidade e autorização aplicáveis.

Entre as possibilidades mencionadas está a integração com dados de identificação de pessoas com transtorno do espectro autista.

“Temos um plano de integração de dados. Uma possibilidade é utilizar informações da carteirinha de identificação da pessoa com autismo”, explicou.

Com a integração autorizada, a plataforma poderá apresentar informações mais relevantes ao perfil do estudante e reduzir a necessidade de preencher repetidamente os mesmos dados.

O sistema não pretende realizar diagnósticos nem substituir avaliações médicas ou multiprofissionais. Sua função é organizar informações educacionais e facilitar o acesso aos serviços existentes.

Plataforma também poderá atender universidades

Embora o projeto tenha começado com foco na educação básica, Nataniel explicou que a solução pode ser expandida para instituições de ensino superior e estabelecimentos privados.

“É possível levar o MapEdu+Dados para universidades e também para instituições privadas”, afirmou.

No ensino superior, muitos estudantes com deficiência enfrentam dificuldades para encontrar informações sobre acessibilidade, programas de apoio, auxílios, bolsas, vagas e recursos pedagógicos.

Nesse caso, o próprio estudante poderá consultar diretamente a plataforma, sem depender necessariamente de um responsável.

“Pode ser um universitário que precisa de uma oportunidade ou de um auxílio e não sabe onde encontrar. O sistema poderá filtrar e indicar onde existe essa possibilidade”, exemplificou.

A ampliação permitiria acompanhar o estudante durante diferentes etapas de sua trajetória educacional.

Projeto possui base científica

Segundo Nataniel, o MapEdu+Dados está em desenvolvimento há aproximadamente um ano e possui um artigo publicado com validação técnica ligada à Sociedade Brasileira de Computação.

“A solução possui validação técnica da Sociedade Brasileira de Computação. Temos um artigo publicado, ou seja, existe pesquisa envolvida no projeto”, destacou.

A base científica contribui para aprimorar o sistema, avaliar sua funcionalidade e demonstrar que a solução foi construída a partir de um problema concreto.

A plataforma já se encontra disponível para contratação, conforme informado pelo empreendedor, e despertou interesse de órgãos públicos ligados à educação e à inclusão.

Primeiro passo será consolidar Porto Velho

O planejamento da equipe é concluir o cadastro das escolas de Porto Velho e consolidar o funcionamento da plataforma no município.

“Nossa visão é concluir o cadastro das escolas e o MapEdu+ aqui em Porto Velho”, declarou.

Depois dessa etapa, o grupo pretende ampliar o módulo de dados destinado aos gestores e levar a solução para outras cidades.

Como as dificuldades de acesso às informações inclusivas existem em diferentes regiões, o projeto possui potencial de expansão.

“Queremos expandir as informações, oferecer o MapEdu+Dados para a gestão e, posteriormente, chegar a outras cidades”, projetou.

A expansão dependerá de parcerias com instituições de ensino, secretarias, prefeituras e organizações que atuam na defesa dos direitos das pessoas com deficiência.

Ideia surgiu dentro da escola

Nataniel contou que a inspiração para desenvolver o projeto surgiu durante sua experiência como estudante da Escola Barão do Solimões.

O contato com professores, atividades de robótica e iniciativas destinadas aos alunos com altas habilidades ajudou o jovem a observar os desafios da inclusão.

“Comecei pensando nos problemas do ambiente onde estudei e perguntando aos professores como aquilo funcionava”, relatou.

Para o empreendedor, observar o próprio ambiente é uma das maneiras mais eficientes de identificar dificuldades que podem ser transformadas em projetos.

“Quando você está dentro de um ambiente, consegue identificar o problema e pensar em uma solução”, acrescentou.

Nataniel também conheceu mães de estudantes com necessidades específicas que relatavam dificuldades para localizar oportunidades e serviços, inclusive em centros maiores.

“Elas diziam que existiam oportunidades, mas que também enfrentavam dificuldade para filtrar e encontrar essas informações”, contou.

Esses relatos ajudaram a confirmar que a ausência de centralização não era apenas uma percepção individual, mas uma dificuldade vivenciada por diferentes famílias.

Robótica ampliou o contato com a inovação

Antes do MapEdu+Dados, Nataniel já participava de projetos relacionados à robótica e à educação.

A experiência permitiu que ele apresentasse trabalhos em Brasília e conhecesse outros ambientes de inovação.

“Fui a Brasília apresentar a robótica e entender como ela também pode apoiar estudantes com altas habilidades”, relembrou.

O contato com outros projetos mostrou que a tecnologia pode ser utilizada não apenas para criar equipamentos, mas também para organizar serviços, gerar informações e aproximar pessoas.

Juventude fortalece ecossistema de inovação

Durante o RuralCast, Nataniel também falou sobre o crescimento da participação de jovens em projetos de tecnologia e empreendedorismo em Rondônia.

Para ele, a presença de mais estudantes nesse ambiente cria oportunidades de troca, aprendizagem e colaboração.

“É um acontecimento incrível, porque quem está começando encontra outras pessoas seguindo o mesmo caminho. É possível trocar informações, criar uma rede de contatos e fazer amizades”, avaliou.

Hackathons, maratonas de inovação, editais e programas de capacitação ajudam os jovens a transformar ideias em soluções aplicáveis.

Esses espaços também aproximam estudantes de professores, mentores, gestores, empresas e potenciais parceiros.

Conselho para outros jovens

Nataniel recomendou que os estudantes observem atentamente a realidade ao redor e conversem com professores.

“Apeguem-se ao ambiente que vocês têm e aos professores, porque eles ajudam bastante”, aconselhou.


Assista à entrevista completa no canal Olá Rondônia:


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