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ASSISTA: Ivanir Gurgel destaca força da APRON e mobilização do agro no Leilão do Amor

Durante entrevista na 2ª AGROTEC, pecuarista falou sobre representação do setor produtivo, desafios enfrentados no campo e a união da sociedade em apoio ao Hospital de Amor Amazônia

Redação Olá Rondônia / RuralCast
Foto: Olá Rondônia / RuralCast

Uma entidade para representar os pecuaristas de Rondônia

A necessidade de fortalecer a representatividade dos produtores rurais foi um dos principais assuntos abordados por Ivanir Gurgel do Amaral no RuralCast. Atualmente diretor financeiro da Associação dos Pecuaristas de Rondônia, o convidado explicou que a APRON foi criada para representar o setor em âmbito estadual e nacional.

Segundo Ivanir, embora os municípios e distritos possuam associações e sindicatos próprios, Rondônia ainda não contava com uma entidade capaz de reunir e defender, de forma ampla, os interesses dos pecuaristas de todo o estado.

“A APRON significa Associação dos Pecuaristas de Rondônia. Cada município e, às vezes, cada distrito tem suas associações e sindicatos, mas o Estado de Rondônia não tinha uma entidade que representasse toda a categoria de produtores.”

O pecuarista destacou que a associação nasceu com a missão de organizar as demandas do campo, ampliar o diálogo com autoridades e dar mais força às reivindicações apresentadas aos órgãos públicos, parlamentares e instituições ligadas ao setor produtivo.

“Individualmente, um CPF fazendo uma solicitação junto aos órgãos competentes é visto de uma forma. Agora, quando você representa uma entidade que congrega os pecuaristas de um estado, o peso é maior.”

Ivanir também ressaltou a importância da união entre os produtores. Para ele, a organização coletiva permite que o setor avance na defesa de pautas que dificilmente seriam solucionadas por iniciativas isoladas.

“Sozinho, você pode até ir mais rápido, mas, para ir mais longe, precisa ter pessoas que congreguem a mesma ideologia e as mesmas dores do setor.”

Caravana identificou os desafios enfrentados no campo

Durante a entrevista, Ivanir explicou que a APRON realizou uma caravana do agronegócio por diversas cidades de Rondônia. A iniciativa possibilitou conhecer de perto as dificuldades enfrentadas pelos produtores em diferentes regiões.

O levantamento identificou nove eixos considerados prioritários para o setor produtivo. Entre os principais problemas mencionados estão a regularização fundiária, os embargos de propriedades, a dificuldade de acesso ao crédito, a insegurança no meio rural e a redução da produção leiteira.

A regularização fundiária foi apontada como um dos maiores gargalos. Muitos produtores ocupam e trabalham em suas propriedades há décadas, mas ainda não possuem a documentação definitiva da terra.

“Você imagina estar há 20, 30 ou 40 anos na propriedade e não ter o título da sua terra. Esse é um dos grandes gargalos.”

Ivanir também alertou para os efeitos dos embargos administrativos. Quando uma propriedade é bloqueada, o produtor pode ficar impossibilitado de comercializar sua produção, obter financiamento ou manter relações com instituições bancárias.

Outro problema destacado foi a falta de estrutura dos órgãos responsáveis pelo Cadastro Ambiental Rural, pelos licenciamentos e pela regularização das propriedades. Segundo ele, a demanda existente é superior à capacidade atual de atendimento.

“Se você quiser regularizar um CAR ou fazer um licenciamento, o Estado não tem gente suficiente. A estrutura não consegue atender à demanda.”

A APRON, conforme explicou o convidado, não foi criada para solucionar situações particulares, mas para enfrentar os grandes problemas que afetam coletivamente a atividade rural.

“A APRON não é para resolver um problema individual de cada produtor, mas para resolver no macro. É ir a Brasília, conversar com a bancada e cobrar dos órgãos competentes.”

Produção leiteira também preocupa o setor

A diminuição da produção de leite em Rondônia apareceu como outro sinal das dificuldades enfrentadas pelo pequeno produtor. Ivanir afirmou que o estado já chegou a produzir aproximadamente três milhões de litros, enquanto o volume atual, segundo ele, não alcançaria um milhão.

Esse cenário reforça a necessidade de políticas públicas voltadas à permanência das famílias no campo, ao acesso à assistência técnica, à segurança jurídica e ao desenvolvimento das atividades produtivas.

Para Ivanir, os próximos gestores públicos precisam compreender que o produtor sabe trabalhar e produzir, mas necessita de condições adequadas para continuar investindo em sua propriedade.

Pontual Agropecuária e fortalecimento da cadeia produtiva

A atuação da Pontual Agropecuária também integrou o contexto da participação de Ivanir Gurgel no RuralCast. A experiência do pecuarista no setor reforça a importância das empresas, propriedades, associações e demais representantes da cadeia produtiva na construção de um agronegócio mais organizado.

A união entre iniciativa privada, entidades representativas e produtores rurais contribui para ampliar o diálogo, identificar dificuldades e desenvolver ações que favoreçam tanto a produção quanto o desenvolvimento econômico de Rondônia.

Durante a 2ª AGROTEC, a APRON participou das atividades da feira e contou com um espaço destinado aos associados e à exposição de animais. Para Ivanir, eventos como a AGROTEC também ajudam a aproximar o campo da cidade.

“Essa interação entre o homem do campo e o homem da cidade é muito importante. A gente vê as crianças indo tocar nos animais e conhecendo uma realidade que muitas vezes só veem pela televisão.”

Leilão do Amor mobiliza produtores e sociedade

Além das pautas relacionadas à pecuária, Ivanir apresentou detalhes do lançamento do Leilão do Amor, iniciativa beneficente realizada em apoio ao Hospital de Amor Amazônia, em Porto Velho.

O convidado, que atua na coordenação do evento, destacou que a mobilização chega à sua 11ª edição. O leilão está marcado para o dia 8 de novembro e deverá reunir produtores rurais, empresários, profissionais liberais, servidores públicos e moradores da capital.

De acordo com Ivanir, a edição anterior arrecadou aproximadamente R$ 1,65 milhão em Porto Velho. Para este ano, a organização estabeleceu como meta entregar R$ 2 milhões ao Hospital de Amor.

“No ano passado, Porto Velho entregou em torno de R$ 1 milhão e 650 mil ao Hospital de Amor. Neste ano, a nossa meta é entregar R$ 2 milhões.”

O Hospital de Amor Amazônia é especializado no atendimento oncológico e recebe pacientes de diferentes localidades. Segundo os dados apresentados durante a entrevista, a unidade tem despesas mensais próximas de R$ 10 milhões, enquanto os repasses públicos seriam de aproximadamente R$ 6 milhões. A diferença é parcialmente coberta por doações e eventos beneficentes.

Uma iniciativa que nasceu dentro do agronegócio

Ivanir recordou que os leilões em benefício do Hospital de Amor surgiram da mobilização dos produtores rurais. Pecuaristas passaram a doar bois, vacas, bezerros, carneiros e outros animais para arrecadar recursos destinados ao tratamento dos pacientes.

“Essa causa nasceu do agronegócio. O leilão nasceu na roça, nasceu no agro.”

Em Porto Velho, o formato foi ampliado para permitir a participação de pessoas que vivem na cidade e não possuem estrutura para adquirir ou receber animais. Além do leilão de gado, a campanha contará com cotas que darão aos participantes a possibilidade de concorrer a um carro e a uma motocicleta zero-quilômetro.

A proposta, segundo o coordenador, é criar diferentes caminhos para que toda a sociedade possa contribuir, independentemente do valor ou da forma de participação.

“Às vezes, a população quer contribuir com o hospital, mas não sabe como fazer. Criamos essa modalidade para que todas as pessoas possam participar.”

Doações digitais e transparência

Uma das novidades anunciadas para esta edição é a possibilidade de contribuição por meio digital. Após o lançamento oficial, a organização deverá divulgar um código QR que direcionará as doações diretamente para a conta do Hospital de Amor.

Ivanir explicou que os recursos não passam por contas pessoais ou pelos integrantes da organização. As cotas adquiridas e os valores obtidos com a comercialização dos animais são destinados diretamente à instituição beneficiada.

“Toda a arrecadação feita não cai na conta de ninguém. Quando você adquire uma cota ou compra um animal no leilão, o recurso cai diretamente na conta do hospital.”

O convidado citou ainda a credibilidade da Fundação Pio XII, mantenedora do Hospital de Amor, e ressaltou o trabalho realizado pela instituição no atendimento de pacientes com câncer.

Ao recordar uma visita à ala pediátrica, Ivanir falou sobre o impacto emocional de conhecer crianças em tratamento.

“Essa doença, quando acomete alguém, acomete também a família, os amigos e toda a estrutura que está ao redor.”

Participação pode ocorrer por meio do voluntariado

A participação no Leilão do Amor não está limitada às doações financeiras ou de animais. Pessoas interessadas também poderão colaborar oferecendo trabalho voluntário, ajudando na organização, buscando prendas no comércio ou mobilizando novos participantes.

“Uma maneira muito forte de doar é oferecendo a mão de obra, o trabalho e a voluntariedade, seja no dia do evento ou antes dele.”

Na semana anterior ao leilão presencial, a organização também pretende realizar um leilão virtual por meio de um grupo de WhatsApp. Produtos doados pelo comércio, eletrodomésticos, animais e outras prendas poderão ser arrematados pelos integrantes do grupo.

Mais informações sobre as formas de participação deverão ser divulgadas nas redes sociais do Hospital de Amor Porto Velho e nos estabelecimentos parceiros, especialmente nas lojas agropecuárias.

União do campo e da cidade por uma causa social

Para Ivanir, o envolvimento dos rondonienses com ações solidárias está relacionado à formação acolhedora da população do estado. Rondônia recebeu famílias de diferentes regiões do país, que chegaram em busca de oportunidades e construíram novas histórias.

“O povo de Rondônia é muito receptivo, compadece-se do sofrimento das outras pessoas e possui um calor humano muito grande.”

Esse espírito de solidariedade aparece no Leilão do Amor, que nasceu no campo, mas atualmente busca envolver toda a sociedade. A proposta é fazer com que produtores, empresários, trabalhadores e moradores das áreas urbanas participem de uma causa comum.

Importância do agro para Rondônia

Na parte final da entrevista, Ivanir destacou a importância econômica e social do agronegócio. Mesmo diante das oscilações das commodities, dos conflitos internacionais e das dificuldades enfrentadas pelos produtores, o setor continua sendo um dos principais pilares da economia de Rondônia.

O pecuarista defendeu a permanência das famílias nas propriedades e a criação de condições que evitem o êxodo rural.

“Se o homem da roça não planta, o homem da cidade não janta.”

Ivanir também convidou os pecuaristas que ainda não integram a APRON a conhecerem a associação e participarem do trabalho de fortalecimento da categoria.

“Venha para o guarda-chuva da APRON. Precisamos nos unir para nos tornarmos um elo forte da nossa cadeia.”

Ao concluir, ele convocou as pessoas que participaram da edição anterior do Leilão do Amor a levarem novos colaboradores para a campanha deste ano.

“Se você participou no ano passado, traga mais uma pessoa para somar com a gente e ajudar essa causa tão nobre.”

A entrevista completa com Ivanir Gurgel do Amaral está disponível no canal Olá Rondônia, no YouTube:


Assista ao podcast:


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