Rondônia

Empreendedorismo construído coletivamente gera turismo de base no Nordeste Goiano

Redação

A Comunidade Kalunga do Engenho II, localizada em Cavalcante, na Chapada dos Veadeiros (GO), oferece aos visitantes uma imersão cultural e gastronômica, destacando-se por suas cachoeiras, como a famosa Santa Bárbara. Há mais de duas décadas, com o suporte do Sebrae, a comunidade tem desenvolvido o turismo de base comunitária, consolidando-o como uma fonte crucial de renda, além de um meio para a preservação de seu território e a valorização das tradições e da cultura Kalunga.

A culinária local, servida em estabelecimentos como o Restaurante da Auriana, é um dos grandes atrativos, com pratos preparados em fogão a lenha. Os alimentos, como arroz, milho, feijão, vegetais, hortaliças e galinha caipira, são majoritariamente cultivados na própria comunidade, sem agrotóxicos, refletindo o respeito aos saberes ancestrais.

Áurea Paulino, proprietária do Restaurante da Auriana, expressa a satisfação de viver e trabalhar na comunidade, onde o sustento provém da terra. Ela enfatiza que o preparo dos alimentos, frescos e com ingredientes locais, é fruto de saberes transmitidos de geração em geração, aprendidos com a própria mãe, sem a necessidade de cursos formais de culinária.

Além da experiência gastronômica e da visita às belezas naturais, os turistas têm a oportunidade de contratar guias locais e explorar a lojinha da comunidade, que oferece artesanatos, alimentos e outros produtos confeccionados pelos próprios moradores.

Turismo e Preservação

O turismo, ao lado da agricultura e das manifestações culturais, firmou-se como a principal atividade econômica para os moradores do Engenho II.

A experiência oferecida transcende as cachoeiras e a gastronomia, proporcionando aos visitantes a vivência do Cerrado, o segundo maior bioma brasileiro, que abrange cerca de 23% do território nacional. Para a comunidade, a preservação ambiental é intrinsecamente ligada à proteção da identidade, da cultura e do território Kalunga. O apoio do Sebrae à Comunidade Kalunga foi reforçado com a visita do presidente da instituição, Rodrigo Soares, em uma sexta-feira recente.

Adriano Paulino da Silva, presidente da Associação Kalunga Comunitária do Engenho II (AKCE), ressalta a indissociável relação entre o Cerrado e o povo Kalunga. Ele afirma que mais de 86% do território Kalunga está preservado, e a comunidade busca manter essa riqueza, impedindo a expansão de grandes lavouras.

Adriano Paulino da Silva também enfatiza que o suporte do Sebrae tem sido fundamental para aumentar a visibilidade da comunidade e fortalecer o papel dos próprios moradores na divulgação de seu território. Ele detalha que o Sebrae proporcionou conhecimento, facilitou trocas de experiências e criou oportunidades para que a comunidade apresentasse seus produtos, história e cultura em feiras e rodadas de negócios. Ele enfatiza a importância desse apoio, pois permite que os próprios Kalungas promovam seu território e o turismo. Quando a comunidade não pode estar presente, o Sebrae assume a representação, levando seus materiais.

Serviço

A visita às cachoeiras tem duração média de três horas, exigindo esforço físico de leve a moderado. O acesso aos atrativos é restrito e deve ser feito sempre com o acompanhamento de um guia Kalunga.

Grupos de até seis pessoas podem compartilhar o custo do serviço de guiamento, com valores de R$ 200 para um atrativo, R$ 250 para dois e R$ 300 para três.

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