Agronegócio

Chuva, safra norte-americana e demanda interna: o que esperar dos preços do milho?

Redação

A plataforma Grainsights, especializada em inteligência de mercado da Grão Direto, registrou um aumento de 0,97% no preço do milho spot em Chicago ao final da semana. Em contraste, no Brasil, o contrato da B3 para o mesmo produto apresentou uma leve queda de 0,23%, encerrando a R$ 63,91 por saca.

No mercado físico, especificamente na região norte de Mato Grosso, as cotações do milho finalizaram a semana com o valor de referência de R$ 39,30 por saca.

E agora, o que esperar?

A Grainsights identificou seis fatores cruciais que podem influenciar a precificação do milho no curto prazo:

  • Safrinha brasileira: O mercado doméstico de milho está focado no progresso da colheita no Centro-Sul do país. A Grainsights aponta que, com o avanço da colheita e a entrada de grandes volumes no mercado spot, as cotações na B3 permanecem sob pressão sazonal de baixa, com compradores agindo seletivamente, cenário que deve persistir na semana.
  • Andamento da safra: A expectativa de rendimento da safra continua limitada devido ao significativo déficit hídrico entre abril e maio. O mercado deverá, portanto, precificar as perdas em áreas-chave como Goiás, Minas Gerais e o norte de Mato Grosso do Sul. Relatórios regionais e o progresso da colheita fornecerão dados mais precisos sobre a produtividade, atuando como um suporte para conter quedas acentuadas nos contratos futuros da B3.
  • Chuvas recentes: As precipitações em alguns estados, notadamente Goiás, podem atrasar temporariamente os trabalhos de campo e o ritmo inicial da colheita. Contudo, espera-se que isso não altere as pressões recentes sobre os preços do grão.
  • Safra norte-americana: O milho em Chicago finalizou a semana em baixa, sob pressão das condições climáticas favoráveis no Meio-Oeste dos EUA e da projeção de uma vasta oferta global. A Grainsights observa que a valorização do trigo ofereceu um suporte temporário, mas insuficiente para reverter a tendência. A atenção agora se volta para julho, período crucial da polinização das lavouras americanas, que poderá determinar a trajetória do mercado para o restante da safra.
  • Demanda interna: A demanda aquecida das indústrias de etanol de milho e do setor de proteína animal deve funcionar como um suporte significativo para os preços no mercado físico nacional.
  • Próximos passos: Produtores devem monitorar o recente aumento dos custos logísticos e de produção, especialmente com a expectativa de um El Niño intenso nos próximos meses, o que exige cautela na comercialização para garantir o melhor momento.

Macroeconomia e oportunidades

O cenário macroeconômico da semana é marcado por forte cautela, após o Boletim Focus manter as projeções do IPCA de 2026 em 5,33%. Isso sugere a manutenção de juros elevados por um período mais longo do que o inicialmente previsto para o mercado interno.

Adicionalmente, a Grainsights destaca que a valorização do dólar comercial em relação ao real, impulsionada pela cautela global e incertezas sobre as taxas de juros nos Estados Unidos, beneficia a receita em reais das exportações agrícolas brasileiras, mas, por outro lado, eleva os custos de produção.

Fonte: canalrural

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