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Pix é a principal forma de pagamento adotada pelos pequenos negócios

Redação

Os Estados Unidos iniciaram uma investigação comercial sobre o Pix, principal meio de recebimento para pequenos negócios no Brasil, alegando "práticas desleais". Segundo o documento, o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro é visto como uma forma de concorrência estatal aos cartões de crédito privados. Como resultado, o governo norte-americano considera aplicar uma taxação de 25% sobre produtos brasileiros, com uma decisão esperada até 15 de julho. O Sebrae, por sua vez, defende que o Pix simplifica pagamentos e diminui custos para os empreendedores.

Uma pesquisa intitulada “Hábitos Financeiros dos Pequenos Negócios”, conduzida pelo Sebrae em parceria com o Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), revelou que aproximadamente 60% dos proprietários de pequenos negócios utilizam o Pix como principal método para receber pagamentos de vendas. Adicionalmente, 53% desses empreendedores optam pelo Pix para efetuar pagamentos a seus parceiros comerciais.

Entre os microempreendedores individuais (MEI), a adesão ao Pix é ainda mais expressiva. O estudo do Sebrae indicou que 97% dos MEIs utilizam a plataforma para pagamentos. Para 28% desses negócios, o Pix representa mais de 75% do faturamento total, enquanto para outros 20%, ele corresponde a cerca de 51% dos recebimentos.

Rodrigo Soares, presidente do Sebrae, classificou a avaliação do governo dos Estados Unidos como "injusta e infundada". Ele argumentou que o sistema de pagamentos não interfere no comércio ou nas relações das empresas do setor de cartões de crédito. Soares destacou que o Pix é uma modalidade irreversível e preferida pelos pequenos negócios devido à agilidade nos recebimentos e à contribuição para a manutenção do fluxo de caixa, além de ser uma ferramenta que impulsiona o crescimento e a geração de empregos.

Dados do Banco Central revelam a vasta adoção do Pix, com aproximadamente 170 milhões de usuários Pessoas Físicas, representando 80% da população, e mais de 24 milhões de usuários Pessoas Jurídicas. Anualmente, o sistema movimenta um volume superior a R$30 trilhões, valor que equivale a quase três vezes o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e cerca de 20% do PIB dos Estados Unidos.

Soares também enfatizou que a existência do Pix, oferecido gratuitamente e com eficiência pelo Banco Central, impede que um vasto mercado seja disputado por grandes empresas de tecnologia como Apple Pay, Google Pay, Amazon Pay, Meta Pay e Microsoft. Ele concluiu que a questão não se trata de uma prática comercial desleal, como alegado para justificar o aumento de tarifas sobre exportações brasileiras, mas sim de uma disputa por mercado.

Consolidado

Lançado em 2020, o Pix atingiu a universalização em menos de quatro anos, tornando-se o meio de pagamento mais utilizado pelos brasileiros, conforme dados do Banco Central. Em 2025, o sistema registrou um recorde histórico anual, movimentando R$ 35,4 trilhões e realizando quase 80 bilhões de transações, o que representa um crescimento de 33,6% no volume de valores transferidos em comparação com o ano anterior.

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