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Raça Sindi ganha espaço em Rondônia e impulsiona pecuária de dupla aptidão

Criadores da Estância 2G destacam crescimento da raça no estado, eficiência produtiva e potencial para corte e leite

Grupo Amazun / Ji-Paraná Notícias

A busca por uma pecuária mais eficiente, sustentável e adaptada às condições climáticas da Amazônia tem levado produtores rurais a investirem em novas alternativas genéticas. Entre elas, a raça Sindi vem se consolidando como uma das opções mais promissoras para os pecuaristas de Rondônia.


Durante a 13ª Rondônia Rural Show Internacional, realizada em Ji-Paraná, a Estância 2G, localizada em Nova dimensão distrito de Nova Mamoré, apresentou ao público o trabalho desenvolvido com a raça e compartilhou a experiência acumulada ao longo dos últimos anos.


O proprietário da Estância 2G, Giulaine de Souza Pinto, conhecido como Popota, explicou que o trabalho com a raça teve início em 2017, quando a propriedade adquiriu suas primeiras matrizes.


“Começamos acreditando no potencial da raça e, desde então, temos investido em melhoramento genético, multiplicação por embriões e inseminação. Nosso objetivo sempre foi entregar animais de qualidade e garantir que nossos clientes estejam satisfeitos com os resultados”, destacou.


Segundo ele, o relacionamento próximo com os compradores é um diferencial da propriedade.


“Nós acompanhamos os clientes mesmo após a venda. Procuramos saber como os animais estão se desenvolvendo e se o produtor está satisfeito. Trabalhamos com muito amor, responsabilidade e respeito”, afirmou.


Além da genética, a Estância 2G também investe constantemente em capacitação e atualização técnica, aproveitando eventos como a Rondônia Rural Show para trocar experiências com outros criadores e conhecer novas tecnologias voltadas ao setor pecuário.


Potencial produtivo


O médico veterinário Orilandes de Souza Pinto explicou que o Sindi é uma raça originária do Paquistão e que encontrou no Brasil, especialmente nas regiões mais quentes, condições ideais para expressar seu potencial produtivo.


Segundo ele, uma das principais características da raça é a rusticidade, fator que garante maior resistência e adaptação aos sistemas de produção adotados na região Norte.


“O Sindi apresenta excelente rendimento de carcaça, boa fertilidade e grande capacidade de adaptação. É uma raça extremamente eficiente para as condições tropicais”, explicou.


Outro diferencial destacado pelo veterinário é a chamada dupla aptidão, característica que permite a utilização dos animais tanto para produção de carne quanto para produção de leite.


“O Sindi atende perfeitamente as duas finalidades. Existem linhagens direcionadas para corte e também para leite, oferecendo flexibilidade ao produtor rural”, ressaltou.


Leite A2 desperta interesse do mercado


Entre os aspectos que mais chamam a atenção dos consumidores está a produção de leite A2, característica presente em parte dos animais da raça.


O leite A2 tem despertado crescente interesse no mercado por apresentar uma proteína diferente daquela encontrada no leite convencional, sendo apontado por especialistas como uma alternativa para pessoas que apresentam sensibilidade digestiva relacionada à proteína beta-caseína A1.


“Essa é uma característica muito interessante da raça. Muitos animais apresentam produção de leite A2, agregando valor ao produto e criando novas oportunidades para os produtores”, explicou Orilandes.


Expansão da raça em Rondônia


De acordo com os entrevistados, a presença do Sindi em Rondônia ainda é relativamente recente, mas vem crescendo de forma consistente.


A Estância 2G foi uma das pioneiras na criação da raça no estado e acompanhou de perto a evolução do setor.


“Quando começamos, éramos um dos poucos criatórios trabalhando com Sindi em Rondônia. Hoje já vemos vários produtores investindo na raça e apresentando seus animais em feiras e exposições”, destacou Orilandes.


O crescimento da procura é impulsionado pelos resultados observados nas propriedades rurais, especialmente em relação à adaptação dos animais, produtividade e rentabilidade.


Para os criadores, a tendência é que o Sindi continue ampliando sua participação na pecuária rondoniense nos próximos anos, contribuindo para uma produção mais eficiente e sustentável.


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