Maloca 2026: Valorização Cultural e Educação Indígena em Rondônia
A IV Mostra Estudantil de Arte e Cultura Indígena (Maloca), iniciativa do governo de Rondônia por meio da Secretaria de Estado da Educação (Seduc), foi concluída em Porto Velho na quinta-feira (16). O evento de três dias reuniu 240 estudantes e professores indígenas da rede estadual, promovendo atividades culturais, pedagógicas e formativas com o objetivo de valorizar saberes tradicionais, fomentar a interculturalidade e fortalecer a educação escolar indígena.
A programação teve início na segunda-feira (14) com o deslocamento dos estudantes para a capital e a cerimônia oficial de abertura no Teatro Estadual Palácio das Artes. Na terça-feira (15), as atividades ocorreram no auditório da escola Major Guapindaia, incluindo exposição de trabalhos, apresentações artísticas, performances interativas, socialização de práticas pedagógicas, oficinas e exibições audiovisuais. No último dia, quinta-feira (16), os participantes foram divididos em grupos para um tour pedagógico focado em educação patrimonial, além de oficinas promovidas no auditório da Universidade Federal de Rondônia (Unir Centro) e no auditório do Centro Cultural e de Documentação Histórica do Tribunal de Justiça do Estado de Rondônia (CCDH).
Massud Badra, secretário da Seduc, destacou a relevância da ação para a educação escolar indígena. Segundo ele, “a realização da programação evidencia o compromisso da gestão com a educação escolar indígena e com a construção de políticas públicas que respeitem as especificidades culturais”.
Durante as atividades, o professor Francisco Oro Waran, mestre em geografia e atuante na Gerência de Educação Escolar Indígena de Guajará-Mirim e Nova Mamoré, enfatizou a importância do resgate histórico e da valorização dos saberes tradicionais no processo educativo. “Quando a gente estuda pontos como a história da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, compreende que muitos povos foram impactados e até dizimados, como os Karipuna e outros de diferentes etnias. Esse conhecimento é fundamental para os nossos estudantes indígenas, que precisam levar esse aprendizado para suas comunidades e fortalecer o diálogo com os sabedores tradicionais”, afirmou.
Elis Viana, gerente da Gerência de Arte e Cultura Escolar (GACE), expressou satisfação ao final da programação. “Encerramos esses três dias com o coração cheio de alegria ao ver os estudantes indígenas protagonizando cada momento, compartilhando saberes, culturas e histórias”, disse ela. Viana complementou que “a Maloca é um espaço de troca, de respeito e de fortalecimento das identidades, e ver tudo isso acontecendo de forma tão viva se torna uma motivação a continuar trabalhando por uma educação cada vez mais inclusiva e conectada com as raízes dos nossos povos”.
Trajetória da Maloca
A Maloca tem se consolidado ao longo dos anos como uma iniciativa crucial da Seduc, voltada à valorização dos povos originários no ambiente escolar. A primeira edição, realizada em 2023, reuniu estudantes de 22 etnias e marcou o início da iniciativa com foco no fortalecimento cultural e educacional. Na segunda edição, o projeto ampliou a participação, envolvendo estudantes de 25 etnias e diversificando as linguagens artísticas, com atividades como música, dança, audiovisual e artes visuais. Já a terceira edição, realizada em 2025, a Maloca avançou em alcance e estrutura, com a participação de mais de 190 estudantes de escolas indígenas de todo o estado, firmando-se como um espaço permanente de intercâmbio cultural, produção artística e fortalecimento da identidade indígena na rede pública de ensino. Esta quarta edição, referida no título como Maloca 2026, segue essa trajetória de sucesso.