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Falta de implementação de lei de prevenção ao suicídio preocupa deputados e especialistas

Redação

A Comissão de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família da Câmara dos Deputados promoveu, na terça-feira (7), uma audiência pública para discutir os desafios da Lei 13.819/19. Esta legislação, que instituiu a Política Nacional de Prevenção da Automutilação e do Suicídio, completará sete anos de vigência em 26 de abril.

A deputada Rogéria Santos (Republicanos-BA), proponente do debate, expressou preocupação com o aumento dos casos de automutilação e suicídio entre crianças, adolescentes e jovens.

Ela enfatizou a necessidade de avaliar a efetividade da legislação na prevenção e combate a esses comportamentos.

Cobrança por Implementação e Notificações

O deputado Osmar Terra (PL-RS), autor da proposta que originou a lei, criticou a deficiência na aplicação prática da norma. Ele ressaltou que a notificação obrigatória de casos identificados em escolas e unidades de saúde ainda não se concretizou.

Terra argumentou que a lei não foi implementada como prioridade e defendeu a capacitação de professores e profissionais de saúde para a detecção precoce de transtornos de humor.

O parlamentar mencionou sua experiência como gestor no Rio Grande do Sul, onde a busca ativa resultou em uma redução de 17% nos índices de suicídio em dois anos.

Ações do Governo Federal

Ministério da Educação

Representantes do governo apresentaram as ações em curso, mas destacaram as limitações da atuação federal devido à autonomia de estados e municípios.

Alexandre Augusto Rodrigues, consultor do Ministério da Educação (MEC), informou sobre a existência de 12 cursos de atenção psicossocial e saúde mental disponíveis no ambiente virtual Avamec, que registraram mais de 420 mil acessos.

Erasto Fortes Mendonça, coordenador-geral de Políticas Educacionais em Direitos Humanos, afirmou que o MEC foca na indução de políticas e no apoio técnico.

Ele explicou que a prevenção nas escolas requer um esforço coordenado com a rede de atenção psicossocial e os conselhos tutelares.

Mendonça esclareceu ainda que, embora o MEC não possa impor a obrigatoriedade de cursos para professores aos sistemas de ensino locais, a pasta incentiva a formação continuada por meio de adesão.

Ministério da Saúde

O Ministério da Saúde, por sua vez, enfatizou a expansão da Rede de Atenção Psicossocial. Vinícius Batista Vieira, coordenador-geral de Saúde Mental, afirmou que o governo planeja habilitar todos os novos serviços solicitados pelos municípios até junho do ano corrente.

Vieira também destacou a implementação de projetos-piloto de telesaúde mental e a reativação do Fórum Nacional de Saúde Mental de Crianças e Adolescentes, que estava inativo há uma década.

Preocupação com o Aumento dos Índices

Cristiane Nogueira, psicóloga e representante do Conselho Federal de Psicologia, alertou que o Brasil contraria as tendências globais ao registrar um aumento nos índices de suicídio.

Ela apontou diversas questões que demandam atenção:

  • Desigualdade social e ausência de projetos de vida;
  • Medicalização excessiva de crianças e adolescentes;
  • Falta de Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) especializados no público infantojuvenil.

Nogueira concluiu que o comportamento suicida é um sintoma psíquico e social, e que é fundamental sensibilizar os profissionais para uma atuação integrada e humanizada.

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